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BOOM AGRÍCOLA PARA COMBUSTÍVEL 

Herbert F. Penfield
Novembro de 2004


O mundo fez maravilhas com a agricultura para alimento. Agora precisamos de uma segunda revolução agrícola para combustível. A agricultura precisa de um compromisso firme do mundo industrializado! "PLANTE E NÓS COMPRAREMOS!" Ao longo dos últimos meses, ficou dolorosamente óbvio o quão vulnerável o mundo se tornou. 

Nosso crescimento, atual e futuro, depende de novas fontes de energia. A capacidade do "Combustível Fóssil" é tão restrita que o mundo entra em pânico com qualquer notícia negativa de greves trabalhistas, guerras civis, movimentos terroristas, furacões etc. O mundo depende do Oriente Médio para suprir 35% de suas necessidades de petróleo bruto! Atualmente nosso crescimento depende de sua boa vontade e a região é politicamente instável! 

Alguns dos principais produtores de petróleo querem se tornar potências nucleares e outros são tolerantes com campos de treinamento terroristas. Muitos desses países são bons parceiros comerciais, mas, na verdade, fizeram muito pouco para ajudar a pacificar a área. A verdade é que uma grande parte do mundo realmente não quer aumentar ainda mais a sua dependência de petróleo! Portanto, por que não deixamos a Mãe Natureza nos dar uma mãozinha? Se o mundo desenvolvido ajudasse a explorar todo o potencial agrícola do planeta, não só teríamos mais combustível limpo renovável, como também resolveríamos muitos problemas sociais. 

O desenvolvimento de uma base agrícola viável em qualquer país subdesenvolvido ajudaria muito no seu crescimento. Pelo que leio, os combustíveis miraculosos, como células de combustível, ainda vão demorar pelo menos 15 a 20 anos para se tornarem realidade. Depois disso, teremos mais 5 a 7 anos para trocar a frota mundial. Pois bem, enquanto isso, vamos colocar a Mãe Natureza para trabalhar para produzir um boom ecológico! Já existem muitos esforços individuais para reduzir a dependência em combustível fóssil. Carros bicombustíveis estão sendo construídos. Milho está sendo transformado em etanol, plástico e fibras sintéticas. 

Cana-de-açúcar transformada em etanol por fábricas que geram sua própria energia elétrica a partir do bagaço de cana. Muitos óleos vegetais têm excelentes possibilidades de serem transformados em biodiesel. Portanto, repito: o mundo precisa, com urgência, de um boom agrícola para combustível. Precisamos desenvolver aqueles países subdesenvolvidos que têm o potencial agrícola para se transformarem em fornecedores alternativos de "combustível renovável". Como estamos travando uma guerra contra o terrorismo, precisamos abordar esse problema URGENTEMENTE. 

O acordo de Kyoto poderia ser nosso ponto de partida. Recentemente, o Primeiro Ministro Tony Blair declarou estar preocupado com um recente estudo científico sobre "Aquecimento Global", dizendo que ele abordaria o tema na próxima reunião do G-7. Se o G-7 (preferivelmente incluindo os EUA) já assumisse o compromisso de usar de 5 a 10% de etanol na sua gasolina, à medida que ele fosse disponibilizado, o boom agrícola para combustível já estaria em andamento. Vantagens e algumas respostas às suas dúvidas: 

1- No momento, estamos em uma situação do tipo "O que vem primeiro? O ovo ou a galinha?". Alguns países já começaram a usar combustível etanol em pequena escala ou em uma base experimental. Outros querem usá-lo, mas não estão seguros quanto ao fornecimento. Por outro lado, os produtores rurais não têm certeza da demanda. Para termos uma melhor idéia do potencial de que estamos falando, o Brasil produz, atualmente, 14 bilhões de litros de etanol (aproximadamente 2 bilhões para a exportação) e os EUA produzem 12,5 bilhões de litros em um total anual combinado de 26,5 bilhões de litros. O mundo produz 82,4 mb/d de petróleo bruto. Desse total, 21 mb/d é usado para produzir gasolina. Se 5% do consumo mundial de gasolina fosse substituído por etanol, precisaríamos de 383 milhões de barris por ano, ou 63 bilhões de litros. Para usar 10%, precisaríamos de 126 bilhões de litros, o que equivale a quase 5 vezes a quantidade total sendo produzida hoje. Adicionando-se isso à utilização de carros bicombustíveis, substitutos de combustível vegetal para diesel etc., estamos falando de um boom agrícola estupendo. 

2- Além do benefício de um combustível limpo e da redução do risco potencial para o mundo industrializado, os benefícios sociais para muitos países subdesenvolvidos seriam enormes. Um país com uma base agrícola (especialmente contando com uma base industrial para converter a produção da safra em combustível) ajudaria a manter parte da população no interior, reduzindo a migração para favelas na cidade etc. Futuramente quando descobrirmos a energia ideal (hidrogênio?), esses mesmos estabelecimentos agrícolas vão ser necessários para ajudar na alimentação da população, em vez que continuar produzindo energia. 

3- Os EUA se recusaram a se juntar ao acordo de Kyoto. Porém não existem motivos para eles não participarem de um programa de combustível renovável. Um boom na agricultura geralmente implica em melhores preços. Preços melhores geralmente significam menos subsídios. Menos subsídios resultam em menos dívida interna. Os EUA, como a maior potência agrícola do mundo, poderiam reduzir suas importações de combustível fóssil reduzindo, assim, seu déficit comercial. Parece-me ser esta uma proposta onde todos ganham. 4- A maior parte dessa nova produção agrícola para combustível seria localizada na América Latina e América Central, Caribe e regiões da África, onde quase todos são democracias e/ou aliados dos EUA e da Europa. Parte destes mesmos recursos que agora estão indo para o Oriente Médio seriam, então, canalizados para esses países. Ajudamos esses países a reduzirem a pobreza e a inquietação nessas áreas e eles nos ajudam a limpar o nosso ar. O que poderia ser melhor? 

Como começar esse boom imediatamente? 
1- Primeiro, as nações industrializadas se comprometeriam a utilizar combustíveis limpos renováveis, começando, inicialmente, com o G-7 e, então, com os membros restantes do acordo de Kyoto. 

2-
Estabelecer-se-ia um piso de preço que estimulasse o investimento, mas que também não inflacionasse excessivamente o custo dos alimentos. A título de sugestão, vamos dizer que com base nos preços de petróleo bruto de US$ 30,00 por barril, o etanol deveria ter um desconto em relação à gasolina de aproximadamente 25 a 30%. Portanto, vamos imaginar que os preços da gasolina nos EUA estariam nas bombas a US$ 1,50 baseado nos preços mundiais de petróleo a US$ 30,00 por barril. O preço de puro etanol no posto seria de aproximadamente US$ 1,12 (baseado em um desconto de 25%). Isso seria um nível bastante lucrativo para incentivar os investimentos na produção de etanol em todo o mundo. E quando os preços estivessem acima de US$ 30,00 por barril, seria melhor ainda! Um piso de preço sugere um subsídio, o que ninguém quer. Mas para fazer alguém investir em uma fábrica etc., você precisa de algo para começar. Na prática, acredito que o preço eventual de mercado para créditos de CO2 será estímulo suficiente para evitar qualquer tipo de subsídio, caso eventualmente os preços de petróleo bruto caíssem abaixo de US$ 30,00 por barril. 

3-
Agora que temos o compromisso e um exemplo da mecânica de formação de preços, como fazermos os atuais preços de agricultura voltarem para um nível rentável? Atualmente, os EUA e a Europa têm subsídios que disseminam a pobreza pelo resto do mundo. Quando os EUA e/ou a Europa têm grandes safras, eles subsidiam seus produtores rurais para compensar suas perdas resultantes de preços mais baixos. Enquanto isso, o resto do mundo quebra! O mundo subdesenvolvido somente se beneficia quando existem problemas de safra (EUA, Europa etc.) e/ou quando existe um aumento inesperado na demanda (como a China recentemente). O compromisso de usar combustível renovável provavelmente eliminaria as objeções do Brasil e de muitos países de se juntar à ALCA e a outros acordos comerciais. A enorme demanda sobre a agricultura para produzir energia provavelmente eliminaria a necessidade de subsídios em outras culturas. O primeiro passo para impulsionar os preços de commodities teria que vir dos EUA. A safra de milho dos EUA esse ano é estimada em 11,5 bilhões de bushels. Atualmente, 1,3 bilhão de bushels (aprox. 11% da safra total dos EUA) já está sendo usada pela indústria dos EUA para produzir 12,5 bilhões de litros de etanol. Se os EUA se comprometessem agora a usar de 5 a 10% de etanol no seu combustível (os EUA não têm que se juntar ao acordo de Kyoto para fazer isso), para conseguir isso, eles teriam que usar mais que três vezes a quantidade de milho que atualmente usam para esse fim (provavelmente usariam seus próprios estoques). Essa nova demanda por milho começaria a melhorar os preços em todo o mundo. Devo ressaltar que a China, utilizando tecnologia dos EUA, acaba de terminar a construção de suas primeiras quatro usinas para converter milho em etanol. 

4-
Atualmente o Brasil é o maior e mais competitivo produtor de combustível renovável. Seria o Brasil, com sua agricultura organizada e abundância de terra utilizável, quem mais se beneficiaria do acordo de Kyoto. O Brasil precisa estar disposto a fazer alguns sacrifícios para fazer com que as coisas comecem a acontecer! Ele já poderia oferecer mais 7 a 8 bilhões de litros de etanol para venda e exportação ao longo dos próximos 12 meses. Para fazer isso, Brasil precisaria anunciar uma política flexível de utilização de etanol na sua gasolina dentro dos seguintes moldes: a) Enquanto os preços de etanol no Brasil estivessem 30% abaixo do preço da gasolina nos postos, eles continuariam a usar 25% do álcool em sua gasolina. b) Se os preços de etanol subissem além desse patamar, eles reduziriam sua utilização para, digamos, 20 a 22%. Se os preços continuassem acima do desconto preestabelecido por 15 a 30 dias, eles reduziriam sua utilização novamente para 18 a 20% e assim por diante até chegarem a 10%. O Brasil também não cairia abaixo dessa utilização de 10%, pois ele também quer ar limpo. Quais seriam as vantagens? a) Pelo maior período de tempo possível, internamente manteríamos os preços de álcool com um desconto razoável em relação à gasolina. b) Se o importador pagar o preço, então, esse fornecimento adicional (7 a 8 bilhões de litros) estaria disponível para a exportação. Com o acordo de Kyoto entrando em vigência, o Brasil já estaria em uma posição para começar a atender à demanda. c) Brasil, é claro, aumentaria sua utilização novamente se o preço de mercado voltasse para um desconto muito maior que os 30%. Isso regularia o mercado. d) Um maior mercado de exportação evitará a queda acentuada dos preços na colheita. Isso ajudará as usinas brasileiras a se capitalizarem e as encorajará a investir mais, tanto local quanto globalmente, em outros países, onde o preço da terra for mais barato. 

5-
Se houvesse uma safra reduzida ou um excesso, o mundo teria que se ajustar (como o Brasil), aumentando ou reduzindo a porcentagem de utilização de etanol. Similarmente às safras de alimentos, haveria estoques remanescentes ou estoques reguladores. Um pessimista poderia dizer que teríamos um outro cartel, como a OPEP. Acho que isso é pouco provável porque isso é combustível renovável. Uma vez plantado, terá que ser colhido e, uma vez colhido, terá que ser comercializado. A OPEP é diferente; tudo o que precisam fazer é fechar a torneira! Isso facilita para que os terroristas interrompam os fornecimentos de petróleo bruto. 

6-
O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial deveriam estar dispostos a financiar as necessidades de infra-estrutura e desenvolvimento para a produção de combustível limpo renovável. Se o financiamento estivesse disponível, seria possível que, num curto espaço de tempo, toda a América Latina estaria livre da necessidade de combustível fóssil. 

7-
Plantas transgênicas - Se fossem para combustível, deveriam ser incentivadas. Tudo o que puder reduzir o custo e a utilização de químicos deveria ser bem-vindo. 

8-
O combustível ecológico deveria ser isento de impostos, taxas de importação, tarifas etc. Que sejam taxados aqueles que "poluem o ar". Incluí diversas idéias, mas o que realmente quero deixar claro é que, o mundo tem uma oportunidade de ouro para trabalhar em conjunto e reduzir sua vulnerabilidade em relação aos problemas com energia e poluição, e sendo assim, trazer ao mesmo tempo prosperidade para muitos países que possam produzir soluções ecológicas. 

Herbert Francis Penfield formou-se em Engenharia Agronômica e Mecanização Agrícola pela Universidade do Texas – USA, 1958. É renomado especialista em Mercado Futuro, sendo considerado um dos maiores conhecedores do Mercado Mundial de Café.  

1959            - Oficial do Exército Americano
1960/69       - Anderson Clayton – Trader – Depto. de café.
1969/73       - Grupo Tristão – Diretor Comercial – Depto. de café.
1974/84       - Bache Hasley Stewart (hoje Prudential – USA) e Conti    Commodity Services – USA –Representante no Brasil  para intermediação de operações de hedge das Bolsas de Futuros Agrícolas em Chicago, New York e Londres.                      

-   Trabalhou com o Banco Central do Brasil para que os exportadores de café pudessem ter acesso às bolsas de café de New York e Londres.

-    Participou ativamente na organização de Mercados Futuros de café, soja, etc., na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP).

-   Trabalhou com IBC na mudança de seu sistema de vendas de estoque do governo, passando  para um de total transparência, via leilão público na BMSP.

1976/90       - Penfield Commodity Corret. de Mercadorias – Presidente.

- Penfield Commodity C.C.V. – Presidente.

1978/86       - Penfield Commodity era líder nos mercados futuros de café,
soja, e também nos leilões de café do IBC.

-    BMSP – Diretor.

-    BMSP – Câmara de Café – Presidente.

-    BMSP – Câmara de Soja – Presidente.

-    BM&F – Membro Fundador.

-    BM&F – Membro da Câmara de Café e Soja.

1984/97       - Proprietário de fazenda – agrícola e pecuária.

1998            - Aposentado – Praticante de Golf,

2001            - Hole-in-one!

2002            - Hole-in-one